O erro é humano, mas é preciso saber lidar com ele

 

 

É difícil conceituar o que é o erro humano, mas é preciso fazê-lo para compreender que nem sempre errar é ruim. Pelo contrário, os erros abrem caminho para o crescimento, desenvolvimento, melhoria, evolução e para a inovação.

Grandes produtos e descobertas da humanidade surgiram a partir do erro e principalmente da capacidade de seus sujeitos de interpretar e aprender com eles. Os famosos post-its, a cola Super Bonder, o forno micro-ondas e a penicilina são alguns exemplos.

      – POST-IT: Spencer Silver, da 3M, criou um papel com cola fraca, que descolava facilmente, ao tentar criar um adesivo super colante.

     – SUPER BONDER: A supercola era para ser, inicialmente, uma lente de alta precisão, ideia do cientista Harry Coover que “não deu certo”.

     – MICRO-ONDAS: O engenheiro Percy Spencer trabalhava na fabricação de armamentos quando percebeu que ondas-eletromagnéticas derreteram uma barra de chocolate no bolso.

    –  PENICILINA: Em 1928, o médico bacteriologista Alexander Fleming descobriu a penicilina ao esquecer sobre a mesa materiais de um estudo em busca de novas formas de combater
bactérias, e ganhou o prêmio Nobel.

O que forma o erro?

É considerado erro tudo aquilo que foge do esperado, da norma ou da expectativa. O erro é, obviamente, o oposto do acerto; ele deriva do errado e é antagônico ao que é certo. Ou, como resume o psicólogo inglês James Reason, os erros são circunstâncias em que as ações não atingiram os resultados esperados.

O inglês explicou como os erros acontecem e constatou que eles surgem quando há falhas nos sistemas de barreiras, através da metáfora do queijo suíço:

Erro será tomado como um termo genérico para abranger todas as ocasiões em que uma sequência planejada de atividades mentais ou físicas não consegue atingir o resultado pretendido, e quando essas falhas não podem ser atribuídas à intervenção de um agente acidental”, afirmou Reason.

 

Metáfora do Queijo Suíço

 

 

Na cena do filme O Curioso Caso de Benjamin Button, vemos uma sequência de acasos – o que Reason chama de alinhamento de situações – que culminam com o grande desfecho – o erro.

Na metáfora do queijo suíço, Reason afirma que as múltiplas barreiras interpostas (pedaços de queijo) são analogias às situações cotidianas das nossas vidas pessoais ou profissionais. Os buracos do queijo suíço, por sua vez, são as falhas das barreiras (ou seja, os fatores que levam ao erro, como a negligência ou o cansaço), que quando se alinham permitem que o erro aconteça

A partir da metáfora, pode-se afirmar que há três premissas e pelo menos nove causas (buracos) para o erro humano:

– O erro é inerente ao ser humano, todo mundo erra.
– Os erros geralmente são resultado de circunstâncias que vão além do controle das pessoas.
– Não é perfeição humana, logo o que depende da perfeição é, por isso só, defeituoso.

 

Causas do erro (buracos do queijo suíço):

1 – Falha de comunicação;
2 – Falta de treinamento;
3 – Falha de memória;
4 – Negligência;
5 – Equipamentos mal projetados ou defeituosos;
6 – Cansaço ou fadiga;
7 – Ignorância;
8 – Condições de trabalho ruidosas;
9 – Fatores pessoais e ambientais.

Se o erro é inerente a nossa condição de seres humanos, porque temos tanto medo dele?
Quando tomamos uma decisão avaliamos os prós e contras de todas as opções possíveis e o medo de errar surge naturalmente.
Afinal, as consequências do erro podem tirar a tranquilidade e a segurança, principalmente no ambiente profissional.
O problema surge quando a insegurança é tão intensa que paralisa o indivíduo.

Aqui o medo se tornou uma patologia!

Para driblar o medo, tenha sempre em mente que:

1 – Não há como aprender e crescer sem os erros. Quantas vezes você caiu antes de aprender a andar ou a andar de bicicleta? Obstáculos fazem parte do crescimento.

2 – Resiliência é saber enfrentar situações adversas sem se abalar. É uma competência que pode ser desenvolvida. No caso do erro, o primeiro passo é assumi-lo, aprender com ele e se
oportunizar a fazer diferente em uma nova oportunidade.

3 – A preocupação com os pequenos erros vai “tirar você do sério” e desviar a atenção do que realmente importa. Lembra que não existe perfeição?
Ah, aqui uma boa alternativa é rir de si mesmo, porque como diz Luis Fernando Veríssimo, “a única pessoa livre, realmente livre, é a que não tem medo do ridículo”.

4 – Trabalhe a sua autoestima. Uma boa forma de começar é listando suas qualidades. Você perceberá que tem muito para contribuir.

5 – Erros persistem quando não buscamos aperfeiçoamento. Por isso, se não deu certo da primeira vez, analise, estude, busque novos conhecimentos e tente novamente.
Só não esqueça de fazer diferente na próxima vez.

6 – Tenha em mente que todo erro tem uma causa, e que para toda causa há uma prevenção. É nossa responsabilidade e faz parte do nosso crescimento pessoal diagnosticá-la e
eliminá-la. Diagnosticar e eliminar as causas dos erros é como fechar os buracos do queijo suíço.

Uma boa ferramenta para diagnosticar os erros e aprender a preveni-los é através da metodologia Poka Yoke, criada na década de 1960 pelo engenheiro Shigeo Shingo para aperfeiçoar o sistema de gestão de qualidade da Toyota e prevenir erros humanos recorrentes no sistema de produção.

A metodologia pode ser facilmente adaptada à rotina e vai ensinar como diagnosticar a causa do erro, como preveni-la e, portanto, como parar de cometer o mesmo erro repetidamente.
Se você quer ter sucesso, correr riscos é uma premissa, pois como dizem os gurus da inovação, não há nada melhor do que se jogar nas novas ideias, errar rápido e aprender muito com o que não deu certo para acertar mais rápido ainda.

E olha que o seu erro pode até parar no museu! É que na Suécia, o psicólogo Samuel West criou, em 2017, o Museu do Fracasso. Ele reúne uma série de grandes ideias, de pequenos inventores a grandes marcas, que não deram certo, e afirma: “entre 80% a 90% dos projetos inovadores falham antes mesmo de a gente chegar a ler sobre eles.
E se há alguma coisa que podemos fazer sobre esses equívocos é aprender com eles”.

Então, que tal deixar o medo para trás e começar hoje mesmo!?