DIA DA MULHER PRECISA SER SEMPRE IGUAL?

Transforme as comemorações na sua empresa no início de um grande movimento pela equidade entre os gêneros.

Homenagens, flores, momentos especiais de cuidados com a saúde ou com o visual, chocolates. Sim, no Dia da Mulher, as mulheres da sua empresa vão desejar tudo isso, mas não SÓ isso. Elas querem muito mais.

Todos os dias, nas fábricas ou nos escritórios, as mulheres são vítimas de violências naturalizadas como “normais”. Muitas vezes, nem elas percebem assim, mas as consequências da desigualdade de gênero estão postas e impactam significativamente o desenvolvimento profissional e os resultados da empresa.

Sabe quando a mulher está falando e um colega de trabalho a interrompe diversas vezes, sem deixá-la concluir o raciocínio? Esse é o Manterrupting. Ou quando um tema é explicado para uma mulher sem que ela tenha perguntado, porque um homem deduziu que ela, por seu gênero, não tem conhecimento? Isso se chama Mansplaining e acontece principalmente em debates sobre temas culturalmente ditos “masculinos”, como Mecânica, Elétrica ou Informática. E quando a mulher tem a ideia descaradamente roubada por um homem? Isso também é muito comum e tem nome: Bropriating.

Manterrupting, mansplaining e bropriating são termos em inglês que estão presentes no dia a dia das empresas. Todas são práticas sexistas (discriminação fundamentada por gênero) sofridas pelas mulheres nos ambientes de trabalho. Somam-se a elas, ainda, assédios de todos os tipos, intimidações verbais, discriminações, faltas de oportunidades reais de desenvolvimento profissional ou de crescimento de carreira, descrédito e diferenças salariais, só para citar as mais comuns.

Agora, diante de tudo isso, faça um exercício de memória e se lembre das últimas reuniões, dos últimos eventos internos ou mesmo do cotidiano na sua empresa e se pergunte:

• As mulheres da minha empresa estão em um ambiente confortável para elas?
• Elas se sentem seguras psicologicamente para realizarem suas tarefas?
• Elas têm espaço para demonstrarem suas capacidades e exercerem todas as suas habilidades profissionais?
• Elas se sentem confiantes?
• Elas são vítimas de alguma prática sexista?

2021 nasceu como o ano das oportunidades, de inovar e fazer diferente. Os acontecimentos de 2020 mudaram a nossa percepção sobre tantas coisas, e mostraram, inclusive, que não há mais tempo para “deixar para depois”. Então, transforme esse 8 de março de 2021 no dia D, no dia em que a sua empresa iniciará ou intensificará a caminhada rumo à EQUIDADE de gênero e contra o MICROMACHISMO, porque é ele que está implícito nas agressões acima.

Primeiro, precisamos entender o que são IGUALDADE e EQUIDADE, conceitos diferentes que, na maioria das vezes, são usados erroneamente como sinônimos.

Imagine que a sua empresa vai promover um passeio ciclístico e vai disponibilizar bicicletas para incentivar a participação dos funcionários e suas famílias. Só que as bicicletas são todas iguais, do mesmo tamanho. Resultado: algumas pessoas não conseguirão pedalar com conforto, como as crianças, por exemplo, que precisam de bicicletas apropriadas. Pessoas mais altas, também terão dificuldades. Cadeirantes ou pessoas com dificuldade de locomoção, por sua vez, estarão excluídas da ação. Isso é igualdade. Oferecendo as bicicletas, você deu condições iguais para que todos participassem, mas não levou em consideração que cada um tem necessidades diferentes.

Agora, qual seria o resultado se você colocasse à disposição bicicletas de tamanhos diferentes, incluindo infantis, e também algumas adaptadas para cadeirantes? Sim, elas existem! Com certeza, esses públicos se sentiriam mais motivados e felizes em participar da ação. Nesse caso, você terá agido com equidade, ou seja, deu condições para que todos os públicos pudessem participar igualmente, entendendo e respeitando as características de cada um.

O micromachismo, por sua vez, é formado por pequenos atos de discriminação que, de tão sutis, não são percebidos como discriminatórios. Alguns deles estão em frases como “Isso é coisa de mulher” ou na desproporcional divisão das tarefas domésticas. Ou, sabe quando a conta do restaurante é automaticamente direcionada ao homem ou, por exemplo, quando a única mulher do escritório é sempre “a eleita” pelos colegas para tarefas ditas femininas, como fazer café, comprar lanches ou presentes?

Agora, confira SEIS ATITUDES que sua empresa pode adotar a partir deste mês para virar a chave da cultura organizacional. Por que sim, as empresas não só podem, como precisam ser protagonistas do movimento de busca pela equidade entre homens e mulheres, e devem usar suas culturas organizacionais para questionar e deter a discriminação. Afinal, o Dia Internacional da Mulher é sobre isso, sobre conscientizar para a igualdade entre os gêneros e promover uma mudança cultural contínua. E esse sim é o mais esperado, e o maior reconhecimento, que você pode dar para as mulheres da sua empresa.

ATITUDE 1:
Você já ouviu, verdadeiramente, o que as mulheres têm a dizer sobre o que acontece dentro da empresa? Que tal uma pesquisa, talvez até com a possibilidade de anonimato, para que as mulheres se sintam seguras para falar abertamente se já foram vítimas de machismos, micromachismos, assédios, preconceitos por gênero, se já se sentiram intimidadas ou impedidas de participarem de algo por serem mulheres?

ATITUDE 2:
No seu processo seletivo, você pergunta aos candidatos homens se eles são casados, se têm filhos, sobre a rotina escolar ou de cuidados com as crianças? Ou essas questões são direcionadas apenas às candidatas mulheres? Que tal rever essa postura e trazer equidade para esse processo?

ATITUDE 3:
Na convivência diária, opiniões e sugestões das mulheres sobre temas diversos, principalmente aqueles ditos “masculinos”, como informática, mecânica, inovação, processos, jogos, são realmente levadas em consideração?

ATITUDE 4:
Mulheres e homens com cargos, experiências e formações iguais recebem salários iguais? E as mulheres brancas e negras? As políticas de cargos e salários estão entre os principais pontos que evidenciam a existência de práticas ou culturas desiguais nas empresas. Elas precisam ser revisitadas e repensadas. Segundo a EBC, em 2018, homens recebiam salários até 44% maiores do que as mulheres nas mesmas posições. Em 2019, essa diferença subiu para 53%.

ATITUDE 5:
As mulheres têm um canal só para elas e são incentivadas a usarem para denunciar atitudes machistas, abusos, preconceitos e afins com segurança e privacidade, sem retaliações ou alcunhas como “chatas” ou “exageradas”? E as denúncias, elas são analisadas com a seriedade que o tema merece?

ATITUDE 6:
O código de ética e conduta e a ideologia possuem parágrafos que deixam claro o que a sua empresa pensa, defende e pratica sobre igualdade e respeito entre os gêneros? Esse tema é visto como um valor para a sua empresa? Que tal reler esses documentos, ver o que está escrito e, principalmente, o que é praticado no dia a dia?

As 6 atitudes acima são muito importantes para promover ambientes de trabalho seguros para as mulheres e também vão demonstrar que a igualdade entre os gêneros é uma preocupação dentro da empresa. Mas, você deve estar falando e se perguntando: isso é coisa de feminista, porque devo envolver minha empresa em questões como essa? E a resposta é muito simples:

EMPRESAS ONDE A DIVERSIDADE DE GÊNERO É RECONHECIDA E RESPEITADA FICAM BEM NA FOTO E LUCRAM MAIS, MUITO MAIS. E AS PESQUISAS COMPROVAM:

• Os stakeholders estão cada vez mais atentos ao que acontece no dia a dia dos funcionários. O público consumidor, por exemplo, muda de opinião rapidamente e de fã número 1, pode se tornar seu principal hater, e ele vai detonar você nas redes sociais.

• Empresas com marcas empregadoras fortes são mais assertivas nos processos de atração, seleção e retenção de talentos, gastam menos e têm melhores resultados. E fortalecer a marca empregadora passa pelo que as pessoas que trabalham com você sentem dentro da empresa e pelo que elas falam fora dela.

• Culturas organizacionais baseadas na equidade resultam em climas mais saudáveis e pessoas mais felizes.

• Pesquisa da Pipeline, com mais de 4 mil empresas de 29 países, mostrou que para cada 10% de aumento na igualdade de gênero, as empresas veem sua receita aumentar de 1% a 2%.

• Consultoria Mckinsey mostrou que empresas onde há diversidade de gênero na gestão apresentam resultados financeiros 21% maiores em relação à média de seus concorrentes. Quando a diversidade também leva em consideração raça e etnia, esse número aumenta para 23%.

• Ainda a Consultoria Mckinsey, no mesmo estudo, mostrou que empresas com baixa diversidade, independentemente do segmento em que atuam, têm desempenho 30% inferior à média da categoria.

• Pesquisa do The Boston Consulting Group (BCG) concluiu que em cinco anos, as startups criadas por mulheres faturaram 2,5 vezes mais quando comparadas com as startups fundadas por homens. No entanto, elas receberam 935 mil dólares em investimentos, menos da metade do valor direcionado às empresas deles, de 2,12 milhões de dólares.

• Em fevereiro de 2021, Marta Díez assumiu a presidência da Pfizer Brasil e passou a integrar a pequena fatia de lideranças empresariais femininas. É que 86% dos CEOs de empresas de todo o mundo são homens.

• Apenas 7,6% (38) das 500 empresas mais valiosas dos EUA, listadas pela Forbes, têm mulheres em cargos de CEO/COO. Entre essas 38 empresas estão General Motors, Accenture, Facebook e Walmart.

Agora, se todos os motivos acima não foram suficientes para convencê-lo a começar hoje mesmo a fortalecer a cultura de gênero na sua empresa, veja esse dado do Fórum Econômico Mundial de 2019:

• A paridade completa entre homens e mulheres no trabalho só será alcançada daqui a 257 anos. Ou seja, esse é o período que, segundo cálculos apresentados no relatório, será necessário para que os efeitos da desigualdade sejam sanados por completo. Entre os dados que levaram a este cálculo estão, por exemplo, a “baixa proporção de mulheres em cargos gerenciais e o congelamento dos salários delas”. O Brasil, no ranking do Fórum que lista os países com maior igualdade, ocupa a 130ª posição.

Ou seja, se os avanços continuarem a passos de tartaruga, é certo que suas filhas, netas e até tataranetas terão mais dificuldades para construírem plenamente suas carreiras simplesmente por serem mulheres, e continuarão vítimas de machismos e micromachismos no ambiente de trabalho.

Para começar a agir hoje mesmo, confira ações para o dia a dia.

1. Ensine a eles, e também para elas, que a igualdade entre homens e mulheres não é um conceito binário em que os primeiros precisam perder para que as segundas possam ganhar. Equidade não significa reduzir ou dificultar as oportunidades de crescimento profissional ou de salário para os homens, mas sim promover ambientes em que as mulheres tenham condições iguais de conquistar os mesmos espaços.

Veja um exemplo prático:

Imagine que a empresa vai selecionar novos líderes e que os candidatos deverão participar do curso de formação de dois meses. As aulas acontecem todos os dias, depois do expediente, e têm três horas. Homens e mulheres se inscreveram para participar. Todos têm entre 30 e 40 anos, são casados e têm filhos.

Culturalmente, diz-se que é dever da mulher estar em casa após o trabalho para cuidar da casa, dos filhos, do marido… é uma “obrigação”, uma norma social imposta e interpretada equivocadamente, mas que acontece na prática.

Levando isso em consideração, qual público terá maior frequência e aproveitamento durante as aulas? Agora, já imaginou qual seria o resultado se as aulas fossem durante o expediente?

Com as aulas à noite, todos têm oportunidades iguais de participar, mas com as aulas durante o expediente, você proporcionará equidade.

2. Promova treinamentos e informe sobre as diferenças entre os gêneros. Fale sobre empatia, respeito, mostre as consequências da desigualdade e o quanto a diversidade torna os ambientes de trabalho mais inovadores e produtivos. Assim, você promove uma mudança positiva, com empatia e colaboração entre os colegas, e um clima de confiança, engajamento e segurança para elas.

3. Ensinar pelo exemplo é sempre a forma mais eficaz. Treine os líderes homens para que tratem as mulheres da equipe com equidade e respeito, rechaçando atitudes preconceituosas ou machistas. Muitas vezes, o exemplo do líder será suficiente para influenciar os demais e coibir práticas negativas na dinâmica do trabalho.

4. Por fim, crie oportunidades de interação e de relações profissionais entre homens e mulheres. Trabalhando em conjunto, enfatiza-se o aprendizado e a inovação. Também é a oportunidade de usar a prática para quebrar preconceitos e estereótipos. Lembre-se de que quanto mais convivemos com alguém, mais passamos a conhecer e a admirar o outro.

Mas, não se engane. Promover uma mudança cultural desse tamanho será um tremendo desafio. E para vencê-lo, você vai precisar planejar as suas ações e de muita comunicação.

Transmitir informações sobre o tema de forma assertiva e eficaz vai fazer toda a diferença. Comece com as campanhas sobre o Dia da Mulher disponíveis no endomarketing.online. Elas são ideais porque conscientizam com leveza e informação. Acesse e confira.

Ah, um último recadinho: lembre-se que são mulheres, e também devem ser lembradas neste 8 de março, e respeitadas todos os dias, aquelas que não nasceram com a genitália feminina, mas que se identificam com o gênero feminino. Esse é um tema para outro texto.

Está precisando de uma ajuda para fazer tudo isso acontecer?

Acesse: https://endomarketing.online/retorno-ao-ambiente-de-trabalho-covid-19