As mulheres são poderosas desde sempre

 

A história de luta da mulher por seu espaço é antiga, mas é tão antiga que nós vamos voltar lá na época das cavernas para mostrar que aquela história de que o homem puxava a mulher pelos cabelos não é bem assim.

Segundo um artigo publicado pela ISTOÉ, baseado no livro “Sexo Invisível – O Verdadeiro Papel da Mulher na Pré-História” (Record), escrito pelos arqueólogos J. M. Adovasio e Olga Soffer e pelo jornalista Jake Page, a cena imortalizada em cartoons e desenhos animados não combina com o papel da mulher primitiva real.

De acordo com os arqueólogos, “seres humanos do sexo feminino caçavam, inclusive mamutes, e exerciam funções logísticas na organização dos espaços comuns, além de ter papel fundamental no desenvolvimento de rudimentos de linguagem”.

Já a revista Galileu Galileu fala que “um estudo científico publicado na prestigiada revista Nature mostra que o homem das cavernas não era tão primitivo assim. No começo da civilização humana (mais conhecida como pré-história), existia igualdade de gênero. Durante o período paleolítico, as pessoas se organizavam em tribos de coletores e caçadores e homens e mulheres tinham a mesma influência sobre as decisões dos grupos”.

Então quer dizer que nós tínhamos igualdade de gênero na época das cavernas e em pleno século XXI não temos? É isso aí. Os seres humanos conseguiram regredir nesse ponto.

Relatório do Fundo Monetário Internacional – FMI, divulgado no dia 16 de fevereiro deste ano, analisou a participação da força de trabalho das mulheres nos últimos 30 anos em todo o mundo e revelou que a participação delas no mercado é 20% menor que a dos homens.

Para a Organização Internacional do Trabalho – OIT, reduzir em 25% a diferença de gênero no mercado, até 2025, poderia aumentar o PIB global em 3,9%.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, durante seu discurso em uma universidade de Nova Iorque, afirmou que “em todos os lugares, mulheres estão em situação pior do que homens, simplesmente porque são mulheres”.

Ele destacou que “as mulheres migrantes e refugiadas, pessoas com deficiência e as mulheres pertencentes a minorias de todos os tipos enfrentam barreiras ainda maiores”. Para ele, todos são prejudicados por essa discriminação.

“A igualdade de gênero é o pré-requisito para um mundo melhor”, falou o secretário-geral.

Exemplos de mulheres que lutam há séculos por igualdade:

– Rainha Nzinga Mbandi, do Mbundu, que há 500 anos “travou uma guerra contra o domínio colonial português” no que é hoje o território de Angola.
– Mary Wollstonecraft, autora da reivindicação dos direitos das mulheres em 1792.
– Sojourner Truth, que fez um apelo apaixonado pelos direitos das mulheres enquanto lutava pela abolição dos escravos.
– Atualmente, Malala Yousafzai e Nadia Murad, que “estão quebrando barreiras e criando novos modelos de liderança”.

Muitas mulheres ainda podem ser citadas na história, mas todas são únicas e contam com suas próprias lutas.

Assim como na época das cavernas, a mulher continua lutando pelo seu espaço no mercado de trabalho, pelo reconhecimento a todos os papéis que ela assumiu sendo mãe, esposa, profissional…

Mas as mulheres não precisam se cobrar tanto. Elas não precisam ser supermães, profissionais número 1, esposas dedicadas e donas de casa perfeitas. Só o fato de serem mulheres já basta para se sentirem totalmente seguras para tomar todas as decisões que lhe chegarem à frente.

A Mulher-Maravilha existe fora das histórias em quadrinhos, sim. Ela está presente em toda mulher que acorda cedo para fazer o café para os filhos, os leva na escola, chega no trabalho correndo porque o carro deu problema no caminho, encara os desafios do dia e volta para casa pronta para desbravar mais uma noite de dedicação às tarefas dela e dos filhos, quem sabe o marido também precise de ajuda em algumas tarefinhas. Mas, no seu íntimo, tudo vai valer a pena.

A grande pergunta que ficou para o final é: por que a mulher não foi à lua?
A resposta deveria ser “porque não quis”, porque as matemáticas da NASA desempenharam papéis fundamentais para que o homem colocasse o pé na lua.

Uma delas morreu aos 101 anos, no dia 24 de fevereiro deste ano. Katherine Johnson fez parte de uma equipe de mulheres negras que trabalhavam no Centro de Pesquisa Langley, onde contribuíram fazendo os cálculos para o lançamento de sondas e foguetes. Foi ela quem forneceu os cálculos finais necessários para a missão que levou o astronauta John Glenn a orbitar a Terra pela primeira vez, em 1962.

Katherine foi retratada no filme Estrelas além do tempo, de 2016, que traz as seguintes lições: encontre seu propósito, não desista pelo caminho e não se intimide pelas mudanças e inovações, aprenda com elas. Fica aí a dica de um filme para você.

 

E, mulheres, empoderem-se!